Estava sentado no campus da faculdade lendo alguma coisa
como todos os dias depois do almoço, “Método de dissecação”, leitura
interessante para um aluno de medicina, me lembrava de quando eu era um garoto
incorrigível que sentia prazer em matar.
-Oi! – Diz uma garota que senta-se ao meu lado.
-Olá. – Respondo da maneira mais seca possível.
-O que você está lendo? – Pergunta tentando puxar assunto.
Não respondo, apenas viro a capa para ela conseguir ler o
nome do livro.
- Hum... Métodos de dissecação, parece interessante.
-É sim, gosta do assunto?
-Nunca me aprofundei, mas parece legal.
-É sim se você for um estudante de medicina, e gostar de
anatomia.
-Eu comecei a pouco tempo a faculdade de medicina, quero ser
cardiologista. – disse ela parecendo decidida.
-Legal. – respondo- Eu pretendo ser neurocirurgião, mas
ainda tenho uma quedinha pela patologia e traumatologia.
-Nossa você parece alguém que entende bem disso, será que
pode me ensinar algumas coisas?
-Claro, é só marcar, te passo meu
numero e você avisa quando quiser. – Isso encerrou a conversa, ela anotou meu
numero, agradeceu com um sorriso gigante e seguiu seu caminho.
Algumas semanas passaram e eu havia esquecido dela, nunca
pensei que ela chegaria a marcar algo, eu sou apenas um garoto esquisito, lendo
um livro estranho e que começou a conversa sendo arrogante, mas lá estava ela,
numa tarde fria apareceu uma mensagem em meu celular:
“Café no Point da faculdade, as 19h, leva aquele livro
legal, K.”
Demorei a entender a mensagem, a se quer lembrar da garota,
mas ela lembrou de mim, me chamou pra sair com ela, ela merecia uma morte memorável
já que seria minha primeira vitima depois de anos parado.
Eram 18:45 e eu estava no lugar marcado, uma xicara de café
na mão, o livro aberto na mesa e o olhar perdido sabe-se lá por onde. Ela
apareceu meio atrasada, com um jeito meio tímido e encantador. Conversamos por
horas sobre o assunto do livro, sobre a faculdade, o que esperávamos das
carreiras, estava ficando tarde, eu já estava no sexto café, o dinheiro
acabando e ela não parava de falar com um jeito que me prendia a atenção como
nunca antes tinha acontecido.
Nos expulsaram do café, tudo que nos restava era a grama que
cobria a maior parte do campus da faculdade, sentamos ali, meio colados por
causa do frio, foi quando um beijo aconteceu, de um jeito natural e
apaixonante, ela logo se encolheu, como se tivesse vergonha, só não sei do que,
mas eu já estava preso no seu charme e a essa altura nem lembrava que queria
mata-lá.
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